Muitos brasileiros deixaram a “pátria amada” rumo aos Estados Unidos nas últimas décadas. Este movimento migratório ficou mais evidente nos anos 70 e tomou proporções ainda maiores na década de 80, fato singular em um país cuja tradição até pouco tempo atrás era apenas de receber imigrantes[1]. Em um dos seus pronunciamentos nacionais na televisão em 1990, o então Presidente Fernando Collor de Melo chegou a pedir aos seus compatriotas: “Não saiam do Brasil, fiquem aqui, me ajudem”[2]. A imigração também passou a ser um assunto comum na imprensa brasileira que exibiu estórias de sucesso de brasileiros que emigraram para cidades como Nova York, Boston e Miami.
Apesar da crise econômica ser a causa principal deste fenômeno migratório, outros motivos também levaram os brasileiros a buscar outros lares. Como diz Miro, personagem do romance Yes, Eu Sou Brazuca (1989) de Vitor Bicalho, “poucos são aqueles que só buscam o dólar. Por detrás do dinheiro existem muitas histórias; muitas vezes o dólar é apenas uma justificativa, uma artimanha que possibilita um corte, uma mudança” (Bicalho 57). O papel da imprensa na consolidação dessa corrente migratória para os Estados Unidos foi definitivamente importante. Os programas de TV e os artigos de jornais alimentaram os sonhos e deram coragem àqueles que precisavam mudar suas vidas de alguma maneira, seja por causa do aperto financeiro causado pela crise econômica, para fugir de um problema na família, para esquecer um amor fracassado, ou simplesmente para correr atrás de uma atração enorme pela cultura estrangeira, muitas vezes causada por influência da própria mídia brasileira.
Surgiram também romances que tomaram a imigração como tema principal. Obras como Yes, Eu Sou Brazuca, Aventureiros do Dólar (1990) de Belchior Neto, e 46th Street: O Caminho Americano (1993) de Luiz Alberto Scotto contam algumas destas estórias. Os romances “brazucas”, como estou denominando obras como estas e como os brasileiros imigrantes geralmente se denominam, aparentemente surgiram nos anos 80. Em regra geral são ricos e importantes “documentos” que discutem a experiência de imigrantes brasileiros nos Estados Unidos desde o momento que decidem deixar o Brasil. Sergio Vilas Boas, autor de Os Estrangeiros do Trem N, outro romance brazuca, em entrevista para o jornal The Brazilians em outubro de 1999, afirma que “qualquer semelhança entre ficção e realidade [na sua obra] não é mera coincidência” (The Brazilians 18). Não é a toa, por exemplo, que os imigrantes brasileiros no romance de Belchior Neto chegam ilegalmente aos Estados Unidos via México e de San Diego vão para cidades como Cambridge e Fall River em Massachussetts e locais em Nova York e Nova Jersey. Essa é a rota mais seguida pelos brasileiros. Segundo Maxime Margolis, os estados de Nova York, Massachussetts e Nova Jersey, seguidos da Flórida e Califórnia, hospedam hoje dois terços dos brasileiros que moram nos Estados Unidos (Magolis 4). Portanto, o romance também indica a existência de uma “chain migration” (rede de imigração) entre os brasileiros. Ou seja, os lugares mais procurados por eles são aqueles onde estão parentes ou amigos, ou onde uma comunidade brasileira já está estabelecida (Margolis 41). “Um conterrâneo puxa o outro, uma cidade puxa a outra, assim sucessivamente”, diz o narrador de Yes, Eu Sou Brazuca (Bicalho 10). Teresa Sales afirma que no começo brasileiros tendiam a procurar locais onde haviam portugueses. Segundo ela, “nessa época os brasileiros se aproximavam mais dos portugueses, até para simplesmente ter chance de falar português” (Sales 137). Atualmente, com o aumento da imigração brasileira, isso não mais acontece.
Apesar da imigração brasileira nos Estados Unidos ter se tornado relevante apenas a partir da década de 70, alguns autores acreditam que tudo começou com a Segunda Guerra Mundial. Segundo Margolis, naquele tempo a mineração de mica no estado de Minas Gerais, importante material para insulação, atraiu americanos para a região de Governador Valadares. Depois da guerra, outros americanos vieram ajudar no combate à malária. Esses americanos contratavam Valadarenses como serventes e os pagavam com dólares. Já naquela época a moeda americana tinha valor maior que a brasileira, o que levou muitos brasileiros a acompanharem seus patrões quando estes voltaram para casa ao término da guerra (Margolis 2-3).
Em 1990 o recenseamento americano apontava apenas 94.000 brasileiros no país. Já o governo brasileiro estimava que 500.000 brasileiros moravam nos Estados Unidos. Para a Revista Veja, o número seria na casa dos 600.000 (Margolis 7)[3] Há pelo menos dois motivos para a diferença entre estes números. Um é o fato da maioria dos imigrantes brasileiros estarem em situação ilegal. Consequentemente, muitos se recusaram à participar do censo de 1990 com medo de serem descobertos pela imigração. O outro é culpa do próprio censo, que não incluiu a categoria “latino” no seu formulário. Acredita-se que muitos brasileiros possam ter erroneamente marcado a categoria “Spanish/ Hispanic” e não ter escrito “Brazilian” em lugar algum.
Nos Estados Unidos os brasileiros são naturalmente classificados como “latinos”, termo que, como sabemos, é usado para designar pessoas provenientes de países da América Latina. Apesar do americano comum não distinguir entre os brasileiros e os outros latinos, o brasileiro tem questionado a sua inclusão neste grupo. Mesmo sendo conscientes de nossas veias latinas, trabalhando em áreas semelhantes às de outros latinos, geralmente morando em bairros onde a maioria da população é latina e passando por problemas parecidos com os dos outros imigrantes latinos, inclusive a situação de ilegalidade, o brasileiro tem insistido em marcar a sua diferença. Uma diferença que é não somente lingüística, mas também cultural e, para alguns, educacional. Por isso, os brasileiros tem se posicionado “dentro e fora” da comunidade latina e esse movimento de “entradas e saídas”, como discutiremos a seguir, mostra-se problemático no contexto mais amplo das minorias nos Estados Unidos.
Uma das razões para os brasileiros não aceitarem a categoria de “latinos” é porque o termo tem sido usado como sinônimo para “hispânico”, grupo que forma a maioria absoluta dos latinos nos Estados Unidos e com o qual o brasileiro geralmente não simpatiza. Poucos americanos associam brasileiros a imigração e muitos não sabem que a nossa língua é português e não espanhol. Em uma cena de Os Estrangeiros do Trem N (1997), Vilas Boas sugere essa ignorância do americano. O personagem Angél, revela sua nacionalidade brasileira a um americano após fugir da prisão onde cumpria pena por ter entrado no país com documentos falsos. Imediatamente, “o Yankee introduziu uma segunda pergunta complementar, que quase todo americano que sabe nada sobre geografia geralmente faz: - Hum, so you speak Spanish, don’t you? Angél teve que explicar isso várias vezes durante o tempo que passou em Elizabeth. Exceto pelos hispanos, era raro encontrar um prisioneiro que soubesse que no Brasil, como em Portugal, falamos português” (Vilas Boas 146). Vilas Boas sugere que a relação de antipatia dos brasileiros para com os hispanos pode ser uma herança da relação entre Portugal e Espanha. Para ele, isso seria “uma indisposição semelhante àquele ditado português, que diz mais ou menos assim: ‘Da Espanha não vem nem bons ventos nem bons casamentos’”. Além disso, ele acredita que pode ser também um reflexo da posição de isolamento do Brasil na América latina. “Os brasileiros sempre ignoraram a América Hispânica. Em parte, isto explica a falta de identificação ‘assumida’ entre os imigrantes hispânicos e os imigrantes brasileiros”, diz Vilas Boas (146-47).
Para Margolis, a confusão acerca da língua e etnia dos brasileiros nos Estados Unidos deve-se também a imagem divulgada por Carmem Miranda nos anos 40. Miranda “ajudou os americanos a organizarem suas percepções sobre o Brasil e os brasileiros. Ela tornou-se a genérica ‘latina’ cujos filmes foram gravados indistintamente em Cuba, México e também no Brasil. Ela representava uma indiferenciada realidade do ‘sul da fronteira’ para muitos americanos” (Margolis 101), imagem que permanece até hoje. Outro fato importante é que a maioria dos imigrantes brasileiros é jovem, da classe média, e concluiu pelo menos o segundo grau, um perfil um pouco diferente dos outros grupos latinos[4].
A nossa diversidade racial também é um ponto de diferença. Como sabemos, o brasileiro tem descendência portuguesa, espanhola, italiana, alemã, holandesa, africana, indígena, libanesa, e japonesa, entre outras. Por isso, há muitos brasileiros que não se encaixam no estereótipo latino. O personagem Angél, por exemplo, “como bom descendente de polonês, [ . . . ] é branquelo, louro, olhos verdes” (Vilas Boas 62) e “a julgar pela aparência física [ . . . ] não tinha nada de latino” (Vilas Boas 145). Encontramos também Vianna em Stella Manhattan de Silviano Santiago, que é “pouco latino na sua beleza baby face” (Santiago 44) e Ana Célia, personagem de Febre Brasil em Nova York de Nona Guimarães, que é uma “brasileirinha loira, de olhos tão azuis, que mais parecia uma alemã” (Guimarães 25). Tipos como estes não são raros entre os brasileiros nos Estados Unidos.
Para os brasileiros, a nacionalidade é um indicador forte de sua etnia e identidade cultural. O povo brasileiro se vê como único, singular, o que também explica a nossa dificuldade em aceitar a inclusão em outros grupos. Darcy Ribeiro diz que o povo brasileiro “surge como uma etnia diferenciada culturalmente de suas matrizes formadoras, fortemente mestiçada, dinamizada por uma cultura sincrética e singularizada pela redefinição de traços culturais dela oriundos. Também novo porque se vê a si mesmo e é visto como uma gente nova, um novo gênero humano diferente de quantos existam” (citado em Sales 95). Roberto DaMatta também explica que há “uma realidade única que existe concretamente naquilo que chamamos de ‘pátria’” (DaMatta 14). Segundo ele, há “um estilo, um modo de ser, um ‘jeito’ de existir que, não obstante estar fundado em coisas universais, é exclusivamente brasileiro” (DaMatta 15).
O brasileiro também recusa ser rotulado como Hispano, ou até Latino, para evitar o preconceito que o grupo sofre. Sales explica que “Em relação aos hispânicos, os brasileiros se apropriam de alguns estereótipos previamente existentes na sociedade norte-americana, associando-os ao tráfico de drogas e a serem aproveitadores do seguro-desemprego. Usam esse artifício para se afirmarem, em oposição a eles, como povo trabalhador” (Sales 41). Infelizmente, ao tentar evitar o preconceito, o brasileiro tem também gerado preconceito. Isso é claro no seguinte comentário do narrador de Febre Brasil em Nova York:
A raça que começou a ‘sujar na estaca’, foi a protegida do titio – os porto-riquenhos, considerados os ‘bugs’ (baratas) da América (ou ‘cucarachas’ – hablando en español). Daí, todos os que chegam falando espanhol serem considerados ‘cucarachos’. Mas o americano não distingue muito o que é brasileiro do que é mexicano, argentino, peruano, colombiano ou porto-riquenho. Para ele tudo é ‘latino’. Miou, é gato. E assim entramos também para o ról dos ‘bugs.’(Guimarães 47-48)
Podemos observar o preconceito explicito em diversas outras cenas nos romances brazucas. Por exemplo, em Os Estrangeiros do Trem N os latinos recebem apelidos: “Formigão é o apelido que os brazucas dão aos nossos vizinhos latinos com feições indígenas. São aqueles de cabelo espetadinho, armado, a la Chitãozinho e Xororó. O tal formigão parecia uma arara com aqueles fios superiores pintados de vermelho. [ . . . ] Ele sempre passava debaixo da minha janela de camiseta de malha, e com um desconfiado olhar de lobo doido” (Vilas Boas 24). Em 46th Street: O Caminho Americano, um mexicano que trabalha em um “pornshop” é comparado a um monstro: “O mexicano tinha os cabelos da grossura de um lápis, lábios enormes, dentes apontados para fora e em todas as direções. E dentro daquela caixinha... Nossa Senhora! O mexicano parecia um monstrinho asteca na embalagem” (Scotto 16). Em outra cena, o pesquisador brasileiro Carlos, não dá o direito de opinar sobre assuntos acadêmicos a seu colega peruano, por ser latino: “– Quem no mundo quer saber a opinião dele? É por isso que os latinos são tão desprezados”, pensa Carlos, que “sacudia levemente a cabeça em desaprovação” (Scotto 49).
Apesar do preconceito, a semelhança “latina” é também ressaltada muitas vezes
nessas obras, como na seguinte observação do personagem Plínio em Os Estrangeiros do Trem N: “Os hispanos são iguais à gente. Eles têm jogo de cintura” (Vilas Boas 180). Esse movimento de “entradas e saídas” do brasileiro na comunidade latina é perceptível também em Stella Manhattan de Silviano Santiago. Mesmo não sendo um romance “brazuca”, e não tendo a imigração como tema, a obra de Santiago retrata bem a relação dos brasileiros com seus “hermanos” hispanos. Por exemplo, o melhor amigo de Eduardo, brasileiro protagonista do romance é Paco, um cubano, seu vizinho. Paco alude sobre a alma latina do amigo desde o início: “na terceira ou quarta vez que toparam um com o outro le saludó muy simpaticamente en espanhol porque yo lo sentía aquí (e batia com o dedo no peito, ali no lugar do coração) que tú eras latino (Santiago 30). Mas o comportamento “latino” do cubano “deixa Eduardo perplexo e sem fala” (Santiago 30), um indicação da diferença entre eles. O “ataque histérico” de Paco no elevador é uma caricatura do modo como muitos brasileiros vêem os hispanos: escandalosos, exagerados, mal-educados. A caricatura confirma-se com o apelido de Paco: Lacucaracha, uma denominação pejorativa para qualquer latino.
Os Brasileiros também são inseridos na comunidade latina quando a secretária da agência imobiliária aluga um apartamento para Eduardo e Vianna, outro brasileiro: “Quando eles saíram a judia ficou pensando que tinha entrado numa enrascada, só podiam ser drug dealers, I bet. Latin-americans, they are all, that’s why they come to this country” (Santiago 59). Nesta cena percebemos como os brasileiros são naturalmente inseridos no grupo latino pelos americanos e, consequentemente, são vítimas do mesmo preconceito e discriminação. Outro momento parecido é quando dois agentes do FBI vão procurar Eduardo. Quando o brasileiro demora de responder a campainha, o chefe diz: “Domingo pela manhã, é preciso dar tempo ao tempo. [ . . . ] Those latins, you know, that’s all they think of” (Santiago 209), ele brinca, insinuando que todos os latinos são preguiçosos. Por outro lado, Santiago diferencia o brasileiro dos outros latinos, colocando-o numa posição de certa superioridade, na seguinte reação do agente do FBI após a conversa com o brasileiro: “O rosto do chefe se descontrai de verdade e deixa entrever simpatia pelo brasileiro, bem diferente dos outros latinos com quem tinha lidado. Especialmente os do Caribe” (Santiago 220).
É importante que a comunidade brasileira nos Estados Unidos diferencie-se dos outros latinos, marcando a sua identidade enquanto grupo étnico singular. Não podemos esquecer que, como sugere Benedict Anderson, “comunidades devem ser distinguidas [ . . . ] pelo estilo como elas se imaginam” (Anderson 6)[5]. Jornais étnicos como The Brasilians, reforçaram essa necessidade encorajando os brasileiros a identificarem a sua presença nos Estados Unidos no censo deste ano[6]. Entretanto, é também importante que eles reconheçam a sua identidade em comum com a pluralidade do grupo latino. Afinal de contas, como propõe Fernando Ainsa, “falar sobre identidade latino americana não implica referir-se a um caráter homogêneo, porque o continente é essencialmente diverso e aberto à influencias e trocas” (Ainsa 6)[7].Como novos imigrantes, os brasileiros estão lutando para encontrar seu espaço. Todavia, este espaço não deve ser conquistado às custas dos hispanos. Talvez porque a natureza da imigração brasileira é diferente da maioria dos outros grupos latinos, os brasileiros ainda não participaram da luta para obter “cidadania cultural”, como diriam William Flores, Rina Benmayor e Renato Rosaldo[8]. Uma das razões é a condição temporária da imigração[9]. Outra é o preconceito que o grupo tem para com os hispanos, o que é negativo para toda a comunidade latina, inclusive para os próprios brasileiros. Ao discriminar os hispanos, os brasileiros funcionam como um tipo de Aparato Ideológico do Estado, como diria Louis Althusser, porque tornaram-se agentes intermediários da “classe dominante” (Althusser 146)[10]. Ao apropriar-se de estereótipos já existentes na sociedade americana e usá-los como marca de diferença contra os hispanos, nossos compatriotas acabam por trabalhar inconscientemente para o Aparato Repressivo do Estado, visto que eles enfatizam idéias que são propagadas pela classe dominante, ou seja, sua ideologia, que favorece apenas a classe que está no poder e visa a manutenção da estrutura dominante. Portanto, os brasileiros tem sido um grupo minoritário que vem agindo contra todos os outros latinos, grupos que tem historicamente se posicionado como forças opositoras que tentam reestruturar e reordÊÜÂä@Â@æÞÆÒÊÈÂÈÊ@ÂÚÊäÒÆÂÜÂ\@‚Þ@ÒÜíÒæX@Þæ@ÄäÂæÒØÊÒäÞæ@ÈÊæÊÚàÊÜÐÂÚ@êÚ@àÂàÊØ@âêÊ@ÝÆÞAÒ@æÊê@ÊÚ@ÊæçÔÜÆÒÂ\A’@ìÊäÈÂÈÊ@âêÊX@ÆÞÚÞ@ÂØÊäèÂ@‚ØèÐêææÊäXA&Þ@‚àÂäÂèÞ@ÈÞ@ŠæèÂÈÞ@ÆÞÜèäÒÄêÒ@ÎÊÜÊäÞæÂÚÊÜèÊ@àÂäÂ@Â@æêÂ@äÊàäÞÈëÏÆß(@P‚ØèÐêææÊä@bj`R\@šÂæ@ÝÆÞ@àÞÈÊÚÞæ@ÊæâêÊÆÊä@âêÊA&Â@ÆÂÈÂ@ÚÂææÂ@ÊÔÊèÂÈÂ@ÊÜ@äÞêèÊAÒ@ÌÞäÜÊÆÒÈÂ@êÚÂ@ÒÈÊÞØÞÎÒÂ@âêÊ@ÚÊØÐÞä@æÊ@ÂÈÊâêÂ@ÂÞ@àÂàÊØ@âêÊ@ÊØÂ@èÊÚ@âêÊ@ÈÊæÊÚàÊÜÐÂä@ÜêÚÂ@æÞÆÒÊÈÂÈÊ@ÈÊ@ÆØÂææÊæt@Þ@àÂàÊØ@ÈÞ@ÊðàØÞäÂÈÞ@¶@\@\@\@ºv@Þ@àÂàÊØ@ÈÞ@ÂÎÊÜèÊ@ÈÂ@ÊðàØÞäÃÏÆÞ@¶@\@\@\@ºv@ÈÞ@ÂÎÊÜèÊ@ÈÂ@äÊàäÊæçÆÞ@¶@\@@\@\@ºv@Þê@ÈÞ@ideologista profissional” (Althusser 155-56). Portanto, os brasileiros tem desempenhado dois papéis: o do explorado, por ser minoria e visto como tal, e o de transmissor da ideologia do Estado.
Para mudar esse cenário, é necessário que os brasileiros sejam mais politizados e entendam a dimensão político-ideológica do papel que vem desempenhando. Atualmente eles não têm uma idéia clara do quanto imersos estão em ideologia. Segundo Althusser, “aqueles que estão em ideologia acreditam estar por definição fora da ideologia” (Althusser 175). Para tal, é necessário tornarem-se sujeitos mais conscientes. Uma maneira de conseguir isso é através de uma maior interação cultural e política com a própria comunidade latina. Tem muito que se aprender daqueles que estão há mais tempo nos Estados Unidos e entendem como o Aparato do Estado funciona. Então poderão identificar que papel desempenhar para tornar-se mais um ponto de oposição a ideologia governante. Acima de tudo, devem educar-se para, ao mesmo tempo, ressaltar a sua identidade étnica na pluralidade da comunidade latina, e aceitar as diferenças nas identidades de outros grupos. Só assim eles encontrarão seu caminho no espaço social latino, não mais serão marionetes inconscientes nas mãos do grupo dominante, e contribuirão para o desenvolvimento da consciência latina e brasileira.
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[1] Ver Margolis, Sales e Goza.
[2] Citado em Maxime L. Margolis, Little Brazil: An Ethnography of Brazilians in New York City (Princeton, New Jersey: Princeton UP, 1994) ix. Futuras referências à esta edição serão citadas como LB, seguidas pelo número da página.
[3] Ver também 1-2.
[4] Ver Margolis, Sales e Vilas Boas.
[5] A tradução do inglês é minha.
[6] The Brasilians #297, Outubro 1999, 13.
[7] A tradução do inglês é minha.
[8] Como sabemos, a imigração brasileira não foi conseqüência de problemas políticos históricos com os EUA, como aconteceu com os mexicanos, cubanos e porto-riquenhos.
[9] Ver Sales, Margolis e Goza.
[10] Enquanto um grupo étnico eles não podem “ser” um Aparato Ideológico do Estado porque não são “instituições” per se. Ver Althusser 144. A tradução do inglês é minha.